segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Saudades

Sentimento petulante. É a dor que te incomoda, mas que não é visível. É o sentimento que te traz lágrimas inesperadas, em momentos inoportunos. É o que te faz pensar como a vida pode ser amarga na ausência de pessoas especiais.
O sentimento que pode ser sentido de várias maneiras. Sentimos saudades do amigo que está ocupado demais com o trabalho, da amiga que não se vê pela correria do dia a dia, da mãe e do pai que foram viajar, do irmão e irmã que se casaram e não se pode mais nem ao menos importunar, de quem não está por perto e é a única pessoa que deveria estar.
É difícil ouvir a música que lembra. É difícil esquecer as risadas. Muito mais difícil é se esquecer de gestos, das brincadeiras e das conversas. E ainda pior do que tudo isso, é ter a certeza que tudo ainda vai ficar mais cinza com a ausência prolongada e com a ausência do diálogo, com a separação involuntária e com as lágrimas que se seguirão por um período indeterminado e demasiadamente doloroso.
É muito difícil procurar entre os rostos da multidão, o único rosto que se quer ver e que nunca se acha. É difícil tentar lembrar-se de tudo, quando o tudo já não é mais que uma vaga lembrança, é difícil encontrar alguém como o alguém que você procura, seja ele quem for.

Ouvindo : Die, die my darling - Metallica

sábado, 19 de dezembro de 2009

Use somebody

I've been roaming around
Always looking down at all I see
Painted faces, build the places I can't reach

You know that I could use somebody
You know that I could use somebody

Someone like you, and all you know, and how you speak
Countless lovers under cover of the street

You know that I could use somebody
You know that I could use somebody
Someone like you

Off in the night, while you live it up, I'm off to sleep
Waging wars to shape the poet and the beat
I hope it's gonna make you notice
I hope it's gonna make you notice

Someone like me
Someone like me
Someone like me, somebody

Someone like you, somebody
Someone like you, somebody
Someone like you, somebody

I've been roaming around,
Always looking down at all I see


OBS: Boa música, bela voz do vocalista do Kings of Leon, é Natal e anda tudo muito corrido e mais importante do que tudo isso, traduz muito bem todo e qualquer momento nos últimos tempos. Boas Festas e Boas Férias!!!

Ouvindo: Kings of Leon - Use Somebody

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tudo que vai

“...deixa o gosto...deixa as fotos...”

É difícil aceitar que em um determinado momento da vida temos de nos separar de tudo o que tínhamos por certo, de tudo que conhecemos como o mais perfeito conto de fadas e exemplo do que gostaríamos de ter pela vida toda, tudo que nos foi dado e depois, parecendo logo em seguida nos ser negado.
A vida é sarcástica conosco. Ela passa o tempo todo nos pregando peças, que nem sempre nos parecem de bom gosto, peças que machucam, ferem, a ponto de termos a certeza de que nunca mais seremos felizes novamente. Assim seguimos toda nossa existência, cheia de idas e vindas, altos e baixos, decepções e tristezas, e há quem diga que quase nunca alegria.
As pessoas entram em nossas vidas, nos trazem alegrias, sentimentos jamais vivenciados antes, nos sentimos vivos como nunca e repentinamente, essas pessoas partem de nossas vidas, levam tudo que nos deram, e ainda deixam a dor, a saudade, e a lembrança como recordação, a recordação amarga de tudo que já se foi um dia, de tudo que já se teve, e do nada que restou.
É difícil aceitar que tudo acaba um dia, até mesmo porque, esse acaba às vezes chega muito cedo, sem aviso nenhum e nos encontra cara a cara, nos deixando devidamente tristes e confusos, nos faz procurar respostas jamais encontradas, explicações inexistentes e nos presenteia com dúvidas pertinentes, fazendo tudo sem nexo e confuso, e muito mais do que isso, tudo doloroso.
Podemos não encontrar explicações, nunca saberemos o que aconteceu e o que estaria por vir se assim não tivesse sido, fato é que as saudades ficam, a dor incomoda, o choro afoga, a noite traz soluços e a vida se torna cinza, porém como a história de amor não é pra sempre, o sofrimento também não é, e um dia ele passa, um dia o Sol aparece novamente, o choro não é mais constante, o soluço se cura, a dor é como anestésico, e as saudades tornam-se apenas bonitas lembranças, para serem apenas lembradas e não somente sofridas.

Ouvindo : Dont’ let me down - Stereophonics

domingo, 25 de outubro de 2009

Insubstituíveis

Existem momentos especiais, pessoas sensacionais, sentimentos que ficarão para sempre em cada coração que o sentiu. E embora não mais exteriorizados, eles permanecem lá, estacionados, congelados no tempo que não os tornou menos fortes, mas que apenas fez nos aceitar que eles deveriam ser guardados, aceitos como imaculados, e antes que se perdessem em meio a tantos erros aos quais nós os sujeitamos, eles deveriam apenas permanecer em sua forma bela, pura e imaculada, para que absolutamente nunca, possam ser sujos com sentimentos grotescos, como ódio e raiva, que nada mais são do que o resultado dos erros que cometemos a cada minuto em nossa falta de percepção e tato do que a vida nos ofereceu, e que sem ao menos percebermos, nós estragamos com apenas uma palavra ou com a ausência de um gesto.
A cada passo que nós damos, a cada música que escutamos, a cada longo segundo que passa após o fim, nós achamos que nos tornamos fortes, que estamos superando, e chegamos a acreditar na tolice de que já não sentimos mais, mas nesse exato momento é quando se ouve a música que faz o coração quebrantar, é quando se lembra dos momentos especiais, é quando vemos alguém passando pelo mesmo que passamos há meses atrás e nesse exato momento é que notamos, que embora o tempo passe, as coisas mudem e tudo pareça ser diferente do que era quando o céu ainda era cinza, percebemos que jamais poderemos substituir quem de fato é insubstituível.
Os dias já passam sem demorar, as risadas já voltaram e as lágrimas secaram por fora, mas elas ainda escorrem por dentro, dentro de uma idéia fixa, dentro da esperança que já não existe, dentro da vida que só é colorida por fora, mas que por dentro insiste em nascer cinza, pois o Sol já se foi há tanto tempo. Tudo que nos resta nessa situação é aceitar o cinza do outono, pois o inverno já foi embora, em meio a tantas lágrimas derramadas, a tantos prantos consolados pelo ombro amigo que nunca te abandonou, mas o outono nunca se tornará verão, e quando se sabe disso, a vida tende a ter um aspecto cinza, não frio, somente nebuloso, como qualquer outro tipo de falta de esperança, que é o que resta quando se conhece a dura realidade que a vida nos apresenta, existem pessoas insubstituíveis.
Chega o dia em que notamos que nenhum sorriso substitui a expressão séria, que nenhum elogio substitui a falta de doçura, que nenhuma tentativa bem sucedida de não brigar vai substituir as brigas travadas em outrora, que as saudades não são tão expressivas quando faladas e sim que elas realmente só são importantes quando apenas sentidas, e que o sentimento do agora é irrisório perto do choro de antes, das saudades do ontem, do sentimento sem precedentes que já se sentiu um dia, um momento de devaneio em meio a tudo que se conhece e que pode ser chamado de não outra coisa que somente e simplesmente amor.
Quando se percebe a diferença entre tudo que se teve e o que se tem, mesmo quando se tem a certeza de que o agora é mais saudável, mais macio, menos doloroso, nada conforta, porque não é como sentir como sentia antes, não é como não dormir pelo que não se dormia antes e não é nem um pouco mais fácil do que antes, é apenas menos doloroso, mas nem por isso é bom. Não é fácil sentir como se tudo faltasse, nada completasse, mesmo quando se tem tudo e se sente que não se tem nada, pois o tudo está apenas na memória, na recordação, no ontem, no passado, no que se foi e que não há de voltar.
Existem sentimentos, de todas as formas, intensidades, e existe um sentimento, um único sentimento, que se guarda para sempre, que não se desfaz com o tempo, com a distância, com a impossibilidade de se realizar, aquele que não se concretiza e que mesmo assim pode ser vivido, aquele que não foi correspondido, mas foi sentido ao máximo possível, o sentimento que mudou você, que mudou sua vida, sua visão, tudo que você conheceu que não pode nunca ser comparado a nada, que não pode ser esquecido, embora sempre machuque quando é lembrado, mas que é o único que fere sem causar mal, é aquele que fica guardado em nossa memória, que dele só restam às boas lembranças. É o sentimento que sempre guardaremos no coração, que a vida só nos permite sentir uma vez e que é a melhor parte de nós para sempre, é o sentimento que não se compara não se iguala e que nunca haverá definição, pois amor é pouco para tanto quanto ele.
Sempre existirão chances, pessoas, risos, vidas, mortes, momentos, felicidades, saudades, tristezas, paixões, amores e sempre existirá o que fica para sempre, o que é insubstituível, imutável, incomparável, sem definição e que embora não exteriorizado, estará sempre vivo, será sempre sentido e nunca, jamais, esquecido.

Ouvindo: Bella's lullaby - Edward Cullen